Sobre as bebedeiras d’Ela

Tasty alcohol drink cocktail tequila with lime and salt on vibra

Ela olhou o celular, já eram 2 horas. Havia sono, havia cansaço de todo um dia de festa e havia algo mais, algo que não lhe deixava dormir. Sentou na beirada da cama com a cabeça entre as mãos ainda sentindo uma leve tontura da bebedeira de antes.

Tudo bem, eu não vou vomitar. Vou voltar a dormir.

Ela olhou o celular outra vez, já passava das 3 horas agora. Levantou, bebeu água, pensou em voltar para a cama, parou no caminho do banheiro e entrou no box apertado. A prateleira de vidro que ficava na parede quebrara meses antes em um acidente doméstico.

Foi um acidente, só isso. – Pensou enquanto ligava o chuveiro, de costas para os ganchos inúteis na parede oposta.

Sentou no chão frio e deixou que a água escorresse pelo corpo nu por um minuto. Essa já era uma rotina conhecida. Quantas bebedeiras não foram curadas daquela mesma forma antes. Certamente há vários tipos de bebedeira, mas as de Ela eram sempre iguais e invariavelmente terminavam naquele box, ao som da água que descia forte do chuveiro e das lágrimas que rolavam copiosamente. O próximo passo era o vômito.

É isso, Ela, hora de colocar tudo pra fora. – Falou, como se fosse um incentivo. Segundos depois, um jorro quente e ácido na contramão da garganta chegou ao chão na frente dela, que já estava de pé junto ao ralo. Mais uma e outra vez deixou-se esvaziar antes de começar a limpar a bagunça e tomar banho para voltar para a cama e finalmente conseguir dormir.

Quando criança, Ela odiava vomitar. Quando a ânsia vinha, a pressão caia e Ela tinha a sensação de que morreria ali mesmo. Chegou a desmaiar algumas vezes antes de aprender que ao vomitar tudo passava como mágica. Essa lição mudou sua vida e, com certeza, sua relação com a ressaca.

Coloque tudo pra fora, Ela, e amanhã será como se nada tivesse acontecido! – Pensava sempre que aquela rotina se repetia e no dia seguinte descobria que estava certa.

É uma bela metáfora, não concorda? Colocar tudo de tóxico para fora. Desintoxicar-se da forma mais simples. Naquela noite era bastante literal. Ela precisava livrar-se do álcool, dormir e, se possível, lembrar do que acontecera naquela noite. A maior parte era apenas um borrão com raros flashes de lucidez. A outra parte… Bom, a outra parte Ela não fazia ideia.

Voltou pra cama sentindo-se mais leve, pronta pra pegar de vez no sono. Lá fora, o dia já estava quase amanhecendo. Em outra cama, ele pensava em Ela e em como a noite poderia ter terminado diferente. Desejou que Ela estivesse ali, a seu lado, nua como ele naquela noite quente. Acabara de chegar em casa e a cabeça ainda rodava pelo efeito do álcool. Ainda assim, dormiu quase que instantaneamente.

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Agradeça mais

ThankYou-01O dia 06 de janeiro não é apenas Dia de Reis, comemora-se também o Dia da Gratidão. Apesar de não ser uma pessoa religiosa, trouxe para a minha vida um pequeno exercício diário que promete fazer de quem o pratica uma pessoa mais feliz. Trata-se de um simples exercício de gratidão! Não pude pensar em uma ocasião melhor para compartilhar essa sugestão que li há algum tempo na minha busca por uma vida mais equilibrada. Continue reading →

Esqueça as resoluções de ano novo

business01Assim começa o artigo do The New York Times que li esta semana como atividade complementar do curso de Marketing Pessoal que eu estou fazendo. A proposta aqui não é abandonar as metas e ações, mas sim dar significado a elas. A frase seguinte do artigo sugere: “Este ano, tente criar uma missão pessoal ao invés (das resoluções)”.

Talvez você saiba que uma empresa, ao criar seu planejamento estratégico, estabelece seus objetivos e metas de acordo com sua identidade organizacional, o que inclui a missão, visão e valores. Mas eu pergunto: quantas pessoas você conhece que costumam fazer o mesmo? Continue reading →

Mas sou minha, só minha, e não de quem quiser

belezaEu não me acho bonita, nunca me achei. Pronto, falei! Neste momento, você deve estar aí do seu lado da tela imaginando que eu estou mentindo para receber elogios das pessoas que lerem esta publicação, ou que sou ingrata em não reconhecer a beleza que Deus (ou a genética, para ser mais precisa) me deu.

Vamos lá, eu não me acho feia (só às vezes). Reconheço que possuo certa qualidade estética que me enquadra em um padrão aceitável de beleza o que, em resumo, significa que sou comum. É isso, eu me acho comum e essa é a minha inquietação: eu detesto ser comum! O engraçado é que estamos, em geral, em uma busca constante do padrão. Esse padrão de beleza que dita seu peso, o comprimento e a cor do seu cabelo, a cor dos olhos, o tom de pele…

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Ficando pra titia sim!

casamento

Sempre achei a expressão “ficar pra titia” estranha, mas o motivo disso é que, por muito tempo, eu a entendi completamente errada. Incluía um artigo antes dessa bendita tia e entendia “ficar para A titia”. Que tia, gente?!

Como sabia que a expressão maldizia as moçoilas de certa idade (cada dia mais indefinida) que ainda não haviam contraído matrimônio (ou seja, não casaram), criava no meu imaginário a ideia de que, no futuro, eu teria que morar com a minha tia, que também era solteira na época e hoje não é mais! De novo a pergunta: Que tia?! Será que divorciada conta? Continue reading →